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O surgimento dos pólipos adenomatosos é conseqüência de uma alteração da dinâmica proliferativa em relação à mucosa nornal.. Nestes casos, pode-se observar à microscopia um crescimento da zona proliferativa I, ocorrendo então uma perda progressiva do padrão característico da zona proliferativa II com a conseqüênte substituição dos colonócitos normais por células pouco diferenciadas e redução da produção de mucina. Além deste crescimento da zona proliferativa com um aumento do número de mitoses e o conseqüênte surgimento de novas células, uma outra alteração irá ocorrer na extremidade superior da cripta, onde iremos observar uma redução do número de apoptoses. |
Como conseqüência destas alterações proliferativas simultâneas características por uma maior produção de novas células na cripta e redução da morte celular epitelial, iremos observar um progressivo acúmulo destas células ao nível da superfície mucosa, inicialmente evidenciado apenas à microscopia.
A progressão deste acúmulo celular conseqüênte ao desequilíbrio proliferativo irá finalmente dar origem a um pólipo macroscopicamente identificável através de exames endoscópicos.
Portanto, as atividades celulares são determinadas pela ação de proteínas, as quais podem atuar a partir de sua presença no interior da célula ou mediante contato externo a esta, com receptores existentes em sua membrana, os quais , por seu turno, podem desencadear efeitos intracelulares através de uma seqüência de reações em cascata.
O grande número de estudos a respeiro dos aspectos biomoleculares do câncer colorretal e seus precursores tem permitido a identificação de diversas proteínas, as quais exercem um importante controle sobre a atividade proliferativa das células da mucosa colônica.
As pirncipais são:
Proteína APC
Inicialmente identificada em pacientes portadores de polipose adenomatosa familial, foi denominada APC (Adenomatous poliposis coli). Sua alteração é considerado um ''gatilho'' para o surgimento de distúrbios proliferativos na mucosa colônica, sejam estes no estágio de pólipos adenomatosos ou carcinomas invasivos. Mutações desta proteína estão presentes em 80% dos adenomas em fase inicial, sendo esta mutação considerada hoje como a alteração mais precoce no processo de carcinogênese da mucosa colônica, motivo pelo qual é a ela atribuída a função de guardiã (''gatekeeper''). Suas funções estão ligadas a adesão e proliferação celular. Exerce função supressora através da inibição da divisão celular. Considerando-se a dinâmica do epitélio colônico, torna-se então compreensível a demonstração por diversos autores de uma elevada concentração da proteína APC na parte alta das criptas, e sua ausência nas células situadas na base destas, o que é bastante compatível com a elevada proliferação na base das criptas e com a morte celular observada na superfície epitelial.
Beta-catenina
Parece ter uma função central no equilíbrio proliferativo da mucosa colônica e, por extensão, ao próprio mecanismo da carcinogênese colorretal. Está relacionada com a adesão entre células como um elemento de ligação com a proteína transmenbrana, denominada como e-caderina. Pode ainda ser observada como uma forma livre no citoplasma e ainda no interior do núcleo. Foi demonstrado que a diminuição dos níveis celulares da proteína APC está associada a uma elevação nuclear da beta-catenina, o que representa um importante estímulo à divisão celular. Este estímulo proliferativo é conseqüência da ação positiva da beta-catenina para a expressão nuclear de outras proteínas que desempenham um importante papel na divisão celular, como a ciclina D1, gastrina, c-myc, COX-2 e MMP-7, sendo estas duas últimas claramente relacionadas à angiogênese e à divisão estromal, respectivamente.
Survivina
Sua função está relacionada ao controle do ciclo celular, no qual desempenha uma ação inibidora da apoptose, conferindo portanto uma sobrevida mais prolongada. Assim sendo, é compreensível a observação em estudos de imunohistoquímica da mucosa colônica normal de uma presença expressiva da survivina nos colonócitos situados na base da cripta intestinal, onde a atividade proliferativa é intensa e sua ausência nas células situadas na porção superior da cripta, onde a apoptose torna-se necessária para o equilíbrio tecidual. Assim como a beta-catenina, a espressão celular de survivina é também inibida pela presença da proteína APC, embora não esteja ainda bem definido o mecanismo relacionado a esta ação repressora.
Resumindo, podemos ver então que a mucosa colônica é uma estrutura essencialmente dinâmica, com uma grande rotatividade em suas células, a qual é determinada pela concentração nestas células das proteínas que atuam sobre o controle do ciclo celular. Neste sentido, a proteína APC é aparentemente um elemento chave, promovendo uma inibição da ação estimulante sobre as divisões celulares promovidas pela beta-catenina e pela survivina.
Sendo assim, pode-se observar que esse mecanismo delicado, orquestrado por substâncias quase imensuráveis pode ser indiretamente manipulado, ou melhor, equilibrado, por intermédio da abordagem Biomolecular, à medida em que podemos diminuir ou modular a produção de Radicais Livres, os verdadeiros agressores celulares. Se conseguirmos manter os Radicais Livres controlados, sendo inibidos, estaremos minimizando as agressões celulares e diminuindo a chance de alterações celulares. Por fim teremos um organismo onde poderá não se desenvolver um pólipo de intestino grosso e talvez a história do paciente seja então alterada!
Baseado em: Artigo da Rev Bras Coloproctologia, 2005;26(2):197-203
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